
Direitos das pessoas com deficiência, política externa e investimentos em ciência e tecnologia estão entre os temas discutidos na série especial do programa Painel Eletrônico, da Rádio Câmara, sobre as eleições de 2026.
Especialistas ouvidos pelo programa analisaram desafios nessas áreas e questões que podem ajudar o eleitor a avaliar as propostas dos candidatos.
Entre outros pontos, destacaram-se: a necessidade de ouvir as pessoas com deficiência na formulação de políticas públicas; o papel do Brasil diante das mudanças nas relações internacionais e do avanço de novas tecnologias; e a importância de investimentos contínuos e previsíveis em inovação.
Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026
Pessoa com deficiência
O coordenador do projeto Inspiração Paralímpica, do Comitê Paralímpico Brasileiro, Antônio José Ferreira, afirmou que a pauta das pessoas com deficiência tem caráter suprapartidário.
Segundo ele, apesar dos avanços trazidos pela Lei Brasileira de Inclusão , mais de 14 milhões de brasileiros com alguma deficiência ainda enfrentam dificuldades no dia a dia, entre elas o preconceito e o capacitismo, que podem limitar o acesso à educação e ao trabalho.

Antônio Ferreira propôs que candidatos ao Executivo e ao Legislativo ouçam as próprias pessoas com deficiência antes de formular propostas para essa população.
“É importante demais os candidatos dialogarem com as pessoas com deficiência e fazerem proposições que, de fato, dialoguem com as necessidades delas”, disse. Para o coordenador, hoje há projetos que não correspondem às demandas concretas desse público.
Entre as prioridades apontadas por Ferreira estão a aprovação do Fundo Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (PL 552/19, em análise na Câmara) e a regulamentação da avaliação biopsicossocial.
O entrevistado lembrou que a execução de políticas públicas depende da existência de recursos e defendeu a criação de um fundo específico, nos moldes dos já existentes para idosos e crianças.
Ferreira também considerou necessária a regulamentação prevista na Lei Brasileira de Inclusão para que os direitos destinados às pessoas com deficiência cheguem a quem efetivamente precisa deles.
Cenário internacional
Os consultores legislativos da Câmara dos Deputados Pedro Garrido e Miguel Mikelli Ribeiro explicaram que a política externa é conduzida principalmente pelo Poder Executivo, mas o Congresso também tem papel relevante.
Cabe ao Legislativo aprovar os acordos internacionais assinados pelo Brasil e discutir políticas públicas de estímulo a setores com atuação internacional.

Segundo os especialistas, o país busca ampliar parceiros comerciais sem se alinhar automaticamente aos Estados Unidos ou à China, embora mantenha relações importantes com ambos.
Os consultores também apontaram um enfraquecimento do papel de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e destacaram o debate sobre a atuação de blocos econômicos, como o Mercosul e o BRICS (formado por países emergentes).
Na avaliação de Miguel Mikelli, a tecnologia ocupa hoje papel central na política externa, sobretudo nas áreas de defesa e segurança.
“Se a arma nuclear foi o grande elemento de poder do século 20, no século 21 vão ser as novas tecnologias, principalmente a inteligência artificial. O Brasil precisa investir bastante nisso”, afirmou.
Pedro Garrido acrescentou que o desenvolvimento tecnológico deve orientar o avanço econômico e social dos países e defendeu que, no Brasil, os ganhos desse processo sejam distribuídos pela sociedade.
Tecnologia e inovação
Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) Fabrício Neves, especialista em políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação, o eleitor deve observar tanto as propostas de investimento no setor quanto a posição dos candidatos em relação à ciência.
Neves ressaltou que essas áreas devem ser tratadas como instrumentos para reduzir desigualdades e ampliar a equidade social.

Ele também considerou essencial garantir continuidade e previsibilidade aos investimentos. “Nós não podemos, a cada ciclo de quatro anos, alterar as regras vigentes”, disse. Segundo o docente, a estabilidade é necessária para manter pesquisas de longo prazo e permitir o desenvolvimento de tecnologias disruptivas.
Hoje, o país investe cerca de 1,2% do PIB no setor, enquanto a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 estabelece a meta de chegar a 2% ao fim do período.
O pesquisador destacou ainda que 95% das pesquisas no país são desenvolvidas nas universidades públicas e defendeu a garantia de recursos para estudos e bolsas de mestrado e doutorado.
Neves acrescentou que, embora o Brasil tenha construído uma infraestrutura científica ampla, há dificuldades em semicondutores, inteligência artificial e tecnologias quânticas.
“Pensando que temos uma das grandes reservas de terras raras, deveríamos fazer um esforço ainda maior para que esses elementos fossem transformados no nosso próprio país e quem sabe criar uma soberania em relação à produção de semicondutores e inteligência artificial”, apontou.
Fonte
O post “Eleições 2026: especialistas apontam desafios em políticas de inclusão, diplomacia e inovação” foi publicado em 24/09/2026 e pode ser visto originalmente diretamente na fonte Câmara notícias – Câmara dos Deputados
