4 prêmios para Pecadores, um ótimo filme
Desculpas por demorar pra escrever sobre o Oscar! A cerimônia foi bastante chata, né? Achei a apresentação do Conan O’Brien um fracasso, mas, pra ser franca, nem me lembrava que ele tinha sido o apresentador ano passado. Gostei de apenas uma piada dele: aquela com o Sterling K. Brown mostrando como seria Casablanca se tivessem que explicar tudo várias vezes pro espectador de hoje que não presta atenção.
Gostei do segmento do “In memoriam”, com homenagens a Rob Reiner e sua esposa Michelle (mas o troço tava tão mal filmado que nem deu pra ver direito no palco os grandes atores que fizeram filmes com ele, como Kathy Bates e Annette Bening) e a outros ícones do cinema que se foram, como Diane Keaton e Robert Redford (e Claudia Cardinalle e Robert Duvall e Catherine O’Hara). Mas deixaram de fora Brigitte Bardot, por exemplo (ano passado “esqueceram” de incluir o Alain Delon, vai entender). Ainda assim, eu me emocionei com a Barbra Streisand cantando “The Way We Were” pra homenagear seu colega e amigo Robert Redford.
Vitória de Jessie Buckley (Hamnet) e Michael B.Jordan (Pecadores)
Não entendi bem por que Missão Madrinha de Casamento ganhou tanto destaque. Sério que esse filme medíocre de 15 anos atrás é considerado um clássico?
Não foi um Oscar muito político, mesmo acontecendo num momento em que o tirano Trump empurrou o planeta pra mais uma guerra, desta vez contra o Irã. Javier Bardem fez um brevíssimo e fundamental discurso: “Não à guerra, e Palestina Livre”.
Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor da noite, com seis estatuetas, incluindo melhor filme e diretor (Paul Thomas Anderson, na sua 14a indicação). Pecadores foi bem, ganhou quatro prêmios importantes; Frankenstein três, Guerreiras do KPop dois, e Valor Sentimental, A Hora do Mal, Avatar, Hamnet e F1, uma estatueta cada. Se a gente olhar por um lado, foi uma noite fabulosa para filmes de terror, um gênero que costuma ficar de fora, com Pecadores, Frankenstein e A Hora do Mal sendo premiados.
Infelizmente, e injustamente, a meu ver, Agente Secreto não levou nenhum dos quatro prêmios a que foi indicado, mas sem dúvida fez história, e é um filme marcante. O maior perdedor foi mesmo Marty Supreme, que não levou nenhuma das nove estatuetas.
O meu tradicional bolão do Oscar foi bastante emocionante. Acertei 18 das 20 categorias e ganhei, mas empatada com o Vitor, a Janaina e o Márcio. Se Agente Secreto tivesse ganhado filme internacional, eu levaria o bolão sozinha. Eu sabia que o norueguês Valor Sentimental tinha um leve favoritismo sobre Agente, porque Valor havia sido indicado a mais estatuetas (9 contra 4), porque é um filme sobre atores (e a maior parte dos votantes da Academia é formada por atores), e porque o Brasil havia ganhado o prêmio no ano anterior, por Ainda Estou Aqui. Mas pensei que, por Agente ser um filme muito mais original e ousado que Valor, poderia levar. E também não me perdoaria se eu apostasse em Valor e Agente ganhasse.
No fundo, eu ganhei o bolão porque apostei na vitória da Autumn Durald Arkapaw pra melhor fotografia, por Pecadores. Sabia que o favorito na categoria era Batalha, mas pensei que, por Autumn ser apenas a quarta mulher na história a ser indicada nessa categoria, e a primeira mulher não branca, e por Pecadores ter sido recordista em indicações, finalmente poderia ser a vez de uma mulher. E foi! E Autumn foi aplaudida de pé, e depois pediu pra todas as mulheres presentes se levantarem. Um belo momento!
Eu pedi pro pessoal que empatou comigo no bolão me mandar um recado, e eis o que eles falaram:
Marcio, um fã de cinema que mora em Floripa: “Acredito que a grande vitória no Oscar foi um filme do Brasil estar lá em 4 CATEGORIAS. Melhor FILME. ATOR! Wagner Moura ao lado de DiCaprio, selecionado entre os 5 melhores do ano? Agente Secreto selecionado no TOP 10? Foi tudo uma vitória sensacional. Quanto aos meus palpites, eu uso a internet mesmo. Antigamente eu votava usando o coração e os que eu gostaria que ganhassem, mas dessa vez não deixei meu gosto influenciar em nada. Acho que ganhei uma vez o bolão free mas não tenho certeza, acho que na verdade foi um ‘quase’. O pago participei poucas vezes e é a primeira vez com certeza que fico no topo! Adorei acompanhar os pontos em tempo real no link do google! Ano que vem estaremos juntos de novo, e espero que o Brasil esteja lá em alguma categoria, pra dar um sabor especial. Lembro que um pouco antes da Fernanda Torres ser indicada você havia comentado que encerraria os bolões, espero que tenha mudado de ideia! Mais um pouquinho e vai chegar na edição comemorando 4 décadas! Um marco!”
Vitor, designer gráfico que mora no Canadá: “Eu gostaria de deixar registrado o meu protesto. A Academia trocou os envelopes de fotografia e casting [elenco], só pode. Se estivesse na ordem certa, eu teria acertado tudo e ganhado sozinho, reconhecendo minha genialidade e valorizando meu talento acima da média, como deveria ser. O que eu fiz de diferente esse ano foi apostar nos vencedores mais recentes de cada categoria. Oscar tem muito de ‘momentum’. Todos os anos eu desconsidero algum prognóstico e arrisco em alguma categoria. Dessa vez eu fui tudo na lógica. Acompanhar os filmes nos festivais também ajuda a perceber quem tem mais força na indústria. É bom ter ciência que crítica e indústria nem sempre concordam (raramente, na verdade), e as escolhas dos prêmios da crítica (Critics Choice e Globo de Ouro) costumam coincidir menos com os resultados dos prêmios da indústria (sindicatos, Bafta, Oscar). Minha estratégia foi essa”.
Janaina, que mora em SP (nos conhecemos ano passado na Feira do Livro): “Depois de quase 15 anos participando do clássico bolão pago da Lola, finalmente venci! Ainda que com empate e, como disse a Lola, às custas do prêmio de O Agente Secreto, que era minha torcida do coração, mas não foi minha aposta. Uma honra empatar com meus colegas Vitor e Marcio e, principalmente, com a diva Lola. Já tinha ganhado o bolão gratuito em 2021 (post da vitória aqui ). E perdi o prazo da participação ano passado (ano passado perdi, mas este não mais rs), mas trago meu depoimento aqui pra convidar mais leitoras e leitores desse blog icônico a aderir aos próximos bolões, é divertido!”
No bolão grátis quem ganhou foi o Alessandro, também com 18 em 20. Seu recado: “Chegou meu momento dourado de vencer pela primeira vez! Um bolão após o outro, venci a batalha! Essa vitória tem um valor sentimental para mim, e me sinto um piloto de F1 que venceu a corrida. Só fui um pecador por não ter apostado no Bolão Pago! Abraços a Lola, Julio Cesar e a todos!”
Meu muitíssimo obrigada a todos que participaram e principalmente ao Júlio César, de Maceió, por não se cansar de organizar tudo desde 2009! Ano que vem tem mais, espero!
E por que o Lionel Richie não envelhece?
O post “UM BOLÃO MAIS EMOCIONANTE QUE A CERIMÔNIA DO OSCAR” foi publicado em 18/03/2026 e pode ser visto originalmente na fonte Escreva Lola Escreva














