“É um pequeno passo para o carbono, mas um salto gigantesco para o marketing.” Foi assim que o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), definiu seu projeto de reflorestar todo o Pará com árvores artificiais de ferro, a exemplo do que já tem feito de forma experimental no Parque Linear da Doca, em Belém, capital do estado. A colossal operação de ‘plantio’, que abarcará 171 mil quilômetros quadrados, está marcada para começar nesta terça-feira (01/04).
“A polêmica gerada pela árvore artificial veio a calhar, pois mudou o foco do noticiário, que só falava sobre as diárias dos hotéis e as obras inacabadas para a COP30″, continuou Barbalho, referindo-se à Conferência das Partes da ONU, agendada para novembro na capital paraense. “Nada mais natural, portanto, que ampliar com o ‘plantio’ para todo o estado.”
Pelo planejamento do governo, as primeiras árvores artificiais fora de Belém devem ser instaladas em Altamira e São Félix do Xingu, que têm figurado de forma recorrente entre as campeãs nacionais de desmatamento. “A diferença vai ser no tipo de árvore”, prosseguiu o governador. “Em Belém investimos numa árvore artificial baixa, na escala humana, feita de plantas trepadeiras sobre material reciclado. Mas nesta região do arco do desmatamento a floresta é muito mais densa e alta. Então queremos entregar pra população angelins-vermelhos, castanheiras, até sumaúmas, se for possível.” As “eco-árvores” serão estruturadas sobre as vigas da Perimetral, desaparecidas em 2013 , no Rio de Janeiro, após a demolição do elevado.
O anúncio do novo projeto do governo do Pará repercutiu muito bem na Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde trabalham dez entre dez investidores que se dizem preocupados com a Amazônia enquanto defendem a perfuração de novos poços de petróleo na Amazônia. Startups locais já procuraram Barbalho para sugerir subprodutos da árvore, como o ativista artificial e o indígena artificial, que poderá ser desligado sempre que o STF ou o Congresso voltarem a debater a tese do marco temporal.
A novidade também bateu forte no campo do agro. “Todo ambientalista sabe que a maior parte da emissão de gases de efeito estufa do Brasil vem do desmatamento”, explicou o engenheiro agrícola Evaristo de Miranda, famoso guru (SIC) da política ambiental (SIC) do governo Bolsonaro (SIC). “E onde está o ‘x’ do problema aí? Na árvore, que sequestra carbono demais, e depois solta tudo na atmosfera durante a queimada.”
Já a árvore artificial terá uma captura mínima de carbono, resultando assim em queimadas mais sustentáveis, como explicou Miranda: “Já vejo o dia em que chegaremos ao Dia do Fogo com selo ESG. Tecnologia 100% brasileira.”
Uma fonte do governo paraense que preferiu não se identificar comentou com jornalistas investigativos da Revista Oeste ter se surpreendido com a proposta do governador: “A ideia é muito ousada.” A fonte diz que o desafio tecnológico de reflorestar uma área desmatada maior que o Reino Unido com as “eco-árvores” é imenso e inédito. “Só não é mais difícil do que achar quarto de hotel em Belém na COP30.”
Cumprindo a vetusta tradição de 1º de abril do Observatório do Clima, este artigo é uma brincadeira. Todas as informações acima são falsas, exceto o fato de que São Félix do Xingu e Altamira lideram o ranking de emissões brutas no país em razão do desmatamento, segundo o último dado disponível do SEEG, de 2023 .
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O post “Helder vai reflorestar todo o Pará com árvores artificiais” foi publicado em 01/04/2025 e pode ser visto originalmente na fonte OC | Observatório do Clima