DO OC – A guerra ilegal movida por Donald Trump e Binyamin Netanyahu contra o regime iraniano tende a ter impactos não apenas humanitários, mas também econômicos. O prolongamento do conflito, neste momento imprevisível, pode lançar o preço do petróleo às alturas, com aumento da inflação e do custo de vida e possíveis repercussões eleitorais. Mais uma vez, os mais pobres serão os mais afetados.
Isso expõe o real preço da nossa dependência de combustíveis fósseis. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022 e a inflação global disparou na esteira da alta do petróleo, 71 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento foram empurradas para a pobreza, segundo o Fórum Econômico Mundial. Os lucros extraordinários das petroleiras na ocasião foram revertidos para seus acionistas e não para a transição energética. O mundo ficou mais pobre, mais inseguro e mais instável climaticamente.
Em 2026 temos a chance de começar a quebrar esse ciclo perverso de violência, empobrecimento e crise climática galopante. O Brasil desenha um mapa do caminho para o fim gradual dos combustíveis fósseis, e a Colômbia sediará no mês que vem a primeira conferência internacional com esse objetivo. O sucesso de ambas as iniciativas é o melhor caminho para a paz duradoura no Oriente Médio e a redução do custo de vida.
O Brasil também tem a chance de dar esse passo. Enquanto Minas Gerais enterra os corpos de mais uma tragédia potencializada pela queima de fósseis, o governo atrasa a elaboração do mapa do caminho nacional para superar a dependência de petróleo. Forças políticas nacionais, como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, operam na ilusão de que, num mundo superaquecido e sem regras, a solução é dobrar a aposta na causa dos problemas. Donald Trump e as chuvas em Juiz de Fora estão aí para mostrar que este não é o caso.
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O post “Guerra no Irã expõe preço da dependência de fósseis” foi publicado em 02/03/2026 e pode ser visto originalmente na fonte Observatório do Clima
